Agricultura

Acordo com a UE pode abrir mercado gigante para o produtor brasileiro

Depois de mais de duas décadas de idas e vindas, o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul voltou a andar — e, desta vez, de forma concreta. Os países do bloco europeu aprovaram o tratado nesta sexta-feira (09.01), destravando um processo que, em dezembro, parecia pronto para assinatura, mas acabou emperrando na reta final por resistências políticas internas na Europa.

Na prática, o que mudou agora é que o acordo saiu do limbo. Com o sinal verde preliminar dos europeus, abre-se o caminho para a assinatura formal do tratado já na próxima segunda-feira (12), no Paraguai, durante encontro oficial entre representantes dos dois blocos. A formalização ainda depende de trâmites administrativos, mas a decisão política está tomada.

O que deu errado em dezembro

Em dezembro, a expectativa era de que o acordo fosse fechado antes do fim do ano. Isso não aconteceu porque países com forte peso agrícola — especialmente a França — intensificaram a oposição, pressionados por produtores rurais europeus. O temor deles é claro: maior entrada de produtos agropecuários do Mercosul, mais competitivos em preço, disputando espaço com a produção local.

Desde então, a Comissão Europeia trabalhou nos bastidores para construir maioria entre os 27 países do bloco. A mudança de posição de alguns governos, somada a acenos de compensação ao setor agrícola europeu, foi decisiva para destravar o processo agora em janeiro.

Quando o acordo entra em vigor?

Aqui é importante separar as coisas. Assinar não significa aplicar imediatamente. Mesmo depois da assinatura, o acordo ainda precisará passar por etapas de ratificação dentro da União Europeia e também nos países do Mercosul. Esse processo pode levar meses ou até alguns anos, dependendo do ritmo político.

Ou seja: o produtor rural brasileiro não verá mudanças de um dia para o outro, mas o cenário passa a ser muito mais previsível a partir de agora.

O que esse acordo significa, na prática, para o produtor rural?

Para quem está no campo, o acordo representa acesso ampliado e mais estável a um mercado de cerca de 450 milhões de consumidores, com alto poder de compra. Em linhas gerais, o tratado prevê:

  • Redução gradual ou eliminação de tarifas para produtos agrícolas e agroindustriais
  • Cotas com tarifas reduzidas para itens sensíveis, como carnes, açúcar e etanol
  • Regras mais claras para comércio, sanidade, padrões técnicos e certificações

Na prática, isso tende a melhorar a competitividade do agro brasileiro no mercado europeu, especialmente para cadeias organizadas, com rastreabilidade e capacidade de atender exigências ambientais e sanitárias.

E a resistência dos agricultores europeus?

Ela continua existindo — e não é pouca. Produtores da França, Irlanda e outros países seguem pressionando seus governos, alegando concorrência desleal e diferenças nas regras ambientais. Isso explica por que o acordo foi costurado com salvaguardas, cotas e transições longas.

Para o produtor brasileiro, esse ponto é importante: não se trata de uma abertura total e imediata, mas de um processo gradual, negociado, com limites bem definidos.

O que muda no horizonte do agro brasileiro

Do ponto de vista econômico, o acordo tende a:

  • Reduzir a dependência de poucos mercados, como a China
  • Dar previsibilidade de longo prazo para investimentos no agro
  • Estimular melhorias em qualidade, rastreabilidade e agregação de valor

Mais do que volumes, o acordo com a União Europeia é estratégico porque sinaliza integração do Brasil a cadeias globais mais sofisticadas, com impacto direto sobre preços, padrões produtivos e planejamento de médio e longo prazo.

Depois de 25 anos, o acordo ainda não está “valendo”, mas deixou de ser promessa distante. Para o produtor rural brasileiro, isso significa que o jogo começou de vez — e quem se preparar antes tende a sair na frente.

(Com informações de Pensar Agro)

Redação Agro7

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