Foto: Lucas Nunes
A Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB) defende a discussão sobre a criação de um banco genético voltado à preservação das raças da pecuária gaúcha. A medida é apontada pela entidade como estratégica para garantir a segurança e a continuidade produtiva em situações de risco, como eventuais ocorrências de enfermidades a exemplo da febre aftosa
De acordo com a ABHB, a ideia surge em um momento de retomada da pecuária gaúcha e brasileira, marcado pela entrada em um novo ciclo pecuário, pela retenção de matrizes e pela valorização das categorias de reposição. Para a Associação, o cenário é impulsionado pela redução dos estoques globais de carne, pela demanda crescente por proteína de qualidade e pelo retorno da pecuária a áreas que antes eram destinadas exclusivamente à agricultura.
Segundo o presidente da ABHB, Eduardo Soares, o debate sobre o banco genético está diretamente ligado à preparação da cadeia produtiva para os desafios futuros. “Estamos vivendo um momento muito relevante para a pecuária, com valorização das carnes de qualidade e protagonismo das genéticas Hereford e Braford em diferentes sistemas produtivos. Para aproveitar esse cenário, precisamos estar preparados como cadeia”, afirma.
O dirigente destaca que a ausência de uma reserva genética estruturada representa uma fragilidade importante para o Estado, especialmente no contexto sanitário do Conesul. “O Rio Grande do Sul deixou de vacinar contra a febre aftosa há vários anos, enquanto países vizinhos seguem com a imunização. Qualquer eventualidade sanitária pode causar um dano incalculável às genéticas aqui desenvolvidas”, observa.
A ideia da ABHB é que o banco genético funcione como um repositório estratégico, reunindo um número representativo de embriões das principais raças envolvidas na cadeia da carne. O objetivo é garantir a longevidade genética dos rebanhos e a segurança da produção em situações extremas. “Pensamos em um banco que contemple todas as raças de importância para a cadeia da carne do Sul do Brasil, assegurando a preservação genética como política de proteção da produção e da segurança alimentar”, explica Soares.
O tema está em fase inicial de debate e deve ser aprofundado com o poder público e outras entidades do setor. A expectativa da ABHB é ampliar essa discussão nos próximos meses e envolver diferentes segmentos da cadeia pecuária.
Foto: Lucas Nunes/Divulgação
Texto: Nestor Tipa Júnior/AgroEffective
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