Agricultura

Bioinsumos já movimentam até R$ 6 bi por ano

O mercado brasileiro de bioinsumos já movimenta entre R$ 5,5 bilhões e R$ 6 bilhões por ano, segundo análise da SIA, Serviço de Inteligência em Agronegócios, com base em dados de entidades do setor como CropLife Brasil e ANPII Bio. O valor representa uma fatia próxima de 10% do mercado de proteção de cultivos no país, estimado em cerca de R$ 100 bilhões.

A expansão do segmento mostra que os bioinsumos deixaram de ser uma tecnologia restrita a nichos ou áreas experimentais e passaram a ocupar espaço relevante dentro do sistema produtivo brasileiro. O avanço da adoção ocorre em paralelo ao aumento do número de produtos registrados, à entrada de novas empresas e à presença crescente de grandes grupos do agronegócio no setor.

Para o diretor executivo da SIA, Bruno Quadros, o mercado entrou em uma nova etapa de maturidade. “Os bioinsumos já são uma realidade consolidada em muitas regiões e cadeias produtivas. O que estamos vendo agora é a aceleração da massificação e da profissionalização desse mercado. Grandes empresas já atuam fortemente no segmento, novas companhias surgem todos os anos e o número de produtos registrados cresce de forma consistente”, afirma.

Segundo o executivo, a adoção dos biológicos segue uma lógica comum às tecnologias do agro: começa com validações práticas no campo e avança conforme os produtores percebem ganhos agronômicos, econômicos e operacionais. “Como toda tecnologia no agro, existe uma curva de adoção. O produtor testa, acompanha o resultado, conversa com outros agricultores e, quando entende onde a tecnologia se encaixa dentro do sistema produtivo, a adoção ganha escala”, observa.

Na avaliação da SIA, o mercado vive um momento semelhante ao que ocorreu com outras grandes transformações da agricultura brasileira, em que a expansão acelerada tende a ser acompanhada por um movimento de consolidação empresarial nos próximos anos. “A tendência é termos um mercado cada vez mais estruturado, com consolidação entre empresas, aumento de investimentos em pesquisa e desenvolvimento e soluções mais específicas para diferentes regiões e manejos”, destaca Quadros.

Apesar do crescimento, o uso em larga escala ainda exige ajustes técnicos dentro das propriedades. Em muitos casos, o produtor adiciona o bioinsumo ao manejo tradicional antes de redefinir quais produtos químicos podem ser reduzidos ou substituídos ao longo do tempo.

A diferença no tempo de resposta entre químicos e biológicos também influencia o processo de aprendizagem no campo. Enquanto inseticidas, fungicidas e herbicidas químicos normalmente apresentam efeito mais rápido, os bioinsumos demandam planejamento, construção de ambiente biológico e acompanhamento ao longo do ciclo produtivo. “Os químicos têm uma ação muito mais imediata. O bioinsumo trabalha mais como construção de sistema. Muitas vezes o resultado aparece de forma gradual, ao longo do manejo e das safras”, explica o dirigente da SIA.

A sustentabilidade também aparece como um dos vetores de crescimento do segmento. Na avaliação da SIA, os bioinsumos ampliam o conjunto de ferramentas já utilizadas pela agricultura brasileira para reduzir impactos ambientais e aumentar a eficiência produtiva. “Os bioinsumos se somam a outras tecnologias já consolidadas no Brasil, como o plantio direto, a integração lavoura-pecuária-floresta e os sistemas regenerativos. Eles passam a fazer parte de um modelo de produção cada vez mais técnico e eficiente”, observa Quadros.

Outro ponto destacado pela SIA é o avanço de soluções desenvolvidas no próprio país, com cepas adaptadas às condições tropicais e matérias-primas disponíveis no Brasil, reduzindo a dependência externa e fortalecendo a indústria nacional de biológicos. Para a consultoria, o crescimento do setor deve continuar nos próximos anos impulsionado pela busca por produtividade, eficiência de manejo, sustentabilidade e redução de dependência de insumos importados.

(Com informações de Assessoria/SIA)

Redação Agro7

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