Pecuária

Brasil encerra 2025 como maior exportação de carne bovina da história

O Brasil encerrou 2025 com o maior desempenho já registrado nas exportações de carne bovina, consolidando um ciclo de crescimento que combinou expansão de volume, valorização de preços médios...

Redação Agro7

Redação Agro7

Brasil encerra 2025 como maior exportação de carne bovina da história
Sergio Souza/Getty Images

Compartilhe:

O Brasil encerrou 2025 com o maior desempenho já registrado nas exportações de carne bovina, consolidando um ciclo de crescimento que combinou expansão de volume, valorização de preços médios e ampliação consistente da presença internacional do produto brasileiro.

Ao longo do ano, os embarques foram de 3,50 milhões de toneladas, avanço de 20,9% em relação a 2024, enquanto a receita atingiu US$ 18,03 bilhões, alta de 40,1% na comparação anual.

Os dados, apurados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), confirmam uma sequência inédita de recordes mensais ao longo de 2025, elevando o setor a um novo patamar histórico de escala, geração de divisas e relevância estratégica para a balança comercial brasileira.

In natura sustenta avanço e concentra valor

A carne bovina in natura respondeu pela maior parte do desempenho recorde. Foram exportadas 3,09 milhões de toneladas, volume 21,4% superior ao registrado no ano anterior, com faturamento de US$ 16,61 bilhões. O resultado evidencia não apenas o aumento da demanda internacional, mas também um movimento de preços mais firmes ao longo do ano.

Quando consideradas todas as categorias (in natura, industrializadas, miúdos, tripas, gorduras e carnes salgadas), o Brasil alcançou mais de 170 destinos em 2025. A ampliação da base de compradores reforça a estratégia de diversificação geográfica, reduzindo riscos comerciais e aumentando a resiliência do setor diante de choques pontuais em mercados específicos.

China mantém liderança, mas outros mercados ganham peso

A China permaneceu como principal destino da carne bovina brasileira, respondendo por 48% do volume total exportado. Ao longo de 2025, o país asiático importou 1,68 milhão de toneladas, que movimentaram US$ 8,90 bilhões. O desempenho reflete tanto a escala da demanda chinesa quanto a consolidação do Brasil como fornecedor estratégico.

Os Estados Unidos ocuparam a segunda posição, com 271,8 mil toneladas e receita de US$ 1,64 bilhão. Na sequência, destacaram-se o Chile, com 136,3 mil toneladas e US$ 754,5 milhões; a União Europeia, com 128,9 mil toneladas e US$ 1,06 bilhão; a Rússia, com 126,4 mil toneladas e US$ 537,1 milhões; e o México, com 118,0 mil toneladas e US$ 645,4 milhões.

Crescimento expressivo e avanço em destinos alternativos

Na comparação com 2024, praticamente todos os principais mercados apresentaram crescimento em volume. As exportações para a China avançaram 22,8% no acumulado do ano, enquanto os Estados Unidos registraram alta de 18,3%. O desempenho da União Europeia foi ainda mais expressivo, com expansão de 132,8%, sinalizando recomposição de fluxo e maior valor agregado nas vendas.

Também chamaram atenção os aumentos em mercados fora do eixo tradicional. As exportações para a Argélia cresceram 292,6%, enquanto Egito e Emirados Árabes Unidos avançaram 222,5% e 176,1%, respectivamente. Esses números indicam espaço para ganhos adicionais em regiões com demanda crescente por proteína animal e menor saturação comercial.

Resiliência diante de choques e coordenação institucional

Para o presidente da Abiec, Roberto Perosa, o desempenho de 2025 reflete a maturidade do setor exportador brasileiro. Após um 2024 já positivo, a indústria conseguiu ampliar simultaneamente volume, valor e presença internacional, mesmo diante de impactos temporários, como o aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos.

Segundo ele, a resposta rápida da indústria e a capacidade de redirecionar fluxos comerciais foram determinantes para manter a trajetória de crescimento.

O resultado também é atribuído à atuação coordenada entre setor privado e poder público, com destaque para a parceria com a ApexBrasil, no âmbito do projeto Brazilian Beef, além do diálogo permanente com os ministérios da Agricultura e Pecuária, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e das Relações Exteriores, bem como a interlocução institucional com a Frente Parlamentar da Agropecuária.

2026 começa com estabilidade e foco em mercados estratégicos

A avaliação da Abiec para 2026 é de otimismo com cautela. Após dois anos consecutivos de forte crescimento, a expectativa é de estabilidade em patamar elevado, com foco em avanços seletivos e mais qualificados. Entre os mercados considerados estratégicos estão Japão, Coreia do Sul e Turquia, que seguem em negociação técnica contínua entre setor privado e governo.

A visão para o próximo ciclo é de crescimento com maior previsibilidade, competitividade e valor agregado, mantendo atenção constante ao cenário geopolítico e às mudanças no comércio internacional de proteínas.

Dezembro confirma ritmo elevado no fechamento do ano

O último mês de 2025 confirmou a intensidade dos embarques. Em dezembro, o Brasil exportou 347,4 mil toneladas de carne bovina, com receita de US$ 1,85 bilhão.

A China liderou as compras no período, com 153,1 mil toneladas, seguida pelos Estados Unidos, com 27,2 mil toneladas, pelo Chile, com 17,0 mil toneladas, e pela União Europeia, com 11,9 mil toneladas.

(Com informações de Forbes)

Compartilhe:

Links úteis

Participe do nosso grupo no WhatsApp