Imagem: Feagro
A China confirmou, no fim de março, novos focos de febre aftosa em rebanhos bovinos nas províncias de Gansu e na região autônoma de Xinjiang, reacendendo o alerta sanitário global e colocando o mercado pecuário em atenção.
De acordo com o Ministério da Agricultura chinês, os surtos atingiram um total de 6.229 animais, com 219 bovinos apresentando sintomas clínicos da doença. Os casos foram identificados em propriedades distintas — um mercado em Xinjiang e uma fazenda em Gansu — e confirmados por exames laboratoriais em 28 de março.
Um dos principais pontos de preocupação é a identificação do sorotipo SAT-1, considerado inédito no país. Esse tipo do vírus não está contemplado nas vacinas atualmente utilizadas na China, o que dificulta o controle sanitário e aumenta o risco de disseminação entre os rebanhos.
Diante da confirmação, autoridades chinesas adotaram medidas emergenciais, incluindo abate sanitário dos animais infectados, desinfecção das áreas afetadas, restrições na movimentação de gado e intensificação da vigilância epidemiológica. Além disso, o país reforçou controles nas regiões de fronteira, especialmente no noroeste, para evitar a entrada e propagação da doença.
Segundo analistas, há indícios de que o vírus tenha origem externa, possivelmente associado a fluxos transfronteiriços de animais ou produtos pecuários. O avanço recente do sorotipo SAT-1 em regiões da África, Oriente Médio e Ásia aumenta a preocupação com a disseminação internacional da doença.
Apesar do número de casos ainda ser considerado limitado frente ao tamanho do rebanho chinês, o episódio levanta incertezas no mercado global de carnes. A febre aftosa, embora tenha baixa mortalidade, possui forte impacto comercial, podendo provocar restrições sanitárias e mudanças no fluxo de exportações.
Para o Brasil, maior exportador mundial de carne bovina e principal fornecedor da China, o cenário exige monitoramento constante. Dependendo da evolução do surto e da necessidade de recomposição do rebanho chinês, o país asiático pode ampliar as importações, abrindo oportunidades para a pecuária brasileira.
Especialistas avaliam que, por enquanto, a situação está sob controle inicial, mas o comportamento da doença nas próximas semanas será decisivo para definir possíveis impactos no comércio internacional e na cadeia produtiva da carne.
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