Imagem: Click Petróleo e Gás
O BRICS deixou de ser apenas um acrônimo elegante para economias emergentes. Segundo o portal TV Brics, em 2025, o comércio entre os países do grupo superou US$ 1 trilhão, e a participação do BRICS+ no PIB mundial atingiu 39,7%. O volume de transações utilizando moedas nacionais já ultrapassou 67%, segundo estimativas do ecossistema Sk Fintech Hub do Grupo VEB.RF. Esses números mostram que o grupo está se transformando, na prática, em uma das principais alianças comerciais do planeta.
Dentro dessa engrenagem, um país se destaca de forma desproporcional. A China responde sozinha por cerca de 70% do comércio dentro do BRICS, funcionando como o principal motor de crescimento e integração comercial do grupo. Só nos primeiros nove meses de 2024, as trocas comerciais dentro do bloco totalizaram US$ 648 bilhões. Enquanto isso, o Brasil se firma como fornecedor essencial de alimentos e minérios, com 36% das exportações do grupo em 2024. O jogo do comércio global está mudando, e o BRICS está no centro dessa transformação.
A China como motor do BRICS: 70% do comércio passa por Pequim
Não dá para falar de BRICS sem falar da China. O país é o maior parceiro comercial de todos os demais membros do grupo e funciona, segundo especialistas, como um formador de mercado em vários segmentos.
A China absorve matérias-primas, energia e alimentos dos parceiros do BRICS e, ao mesmo tempo, é o principal fornecedor de produtos industriais, máquinas, eletrônicos e bens intermediários para todo o bloco.
Segundo o professor Erik Escalona Aguilar, da Universidade Bernardo O’Higgins (Santiago, Chile), a China atua como “um pilar de demanda” que organiza e direciona os fluxos comerciais dentro do BRICS.
O país exporta volumes crescentes de produtos de alta tecnologia, como automóveis e equipamentos, enquanto aumenta as importações de recursos críticos como petróleo, microchips e alimentos. Essa dinâmica faz com que o BRICS funcione, na prática, como um sistema onde a China é ao mesmo tempo o maior comprador e o maior vendedor.
O papel do Brasil: alimentos, minérios e fertilizantes
O Brasil ocupa uma posição estratégica dentro do BRICS que vai muito além do tamanho da sua economia. O país é fornecedor essencial de produtos agrícolas e minerais para o grupo, com minério de ferro como principal produto de exportação, seguido por soja, petróleo bruto e açúcar.
Em 2024, o Brasil respondeu por 36% das exportações dentro do BRICS, consolidando-se como o segundo maior exportador do bloco atrás da China.
A relação com a Rússia também é reveladora: o Brasil importa grandes volumes de fertilizantes russos, já que a Rússia é o maior produtor mundial desse insumo.
Essa complementaridade é o que especialistas chamam de “sinergia macroeconômica” do BRICS: países que produzem o que os outros precisam, reduzindo a dependência de fornecedores de fora do bloco. Ao lado da China e da Rússia, o Brasil forma o tripé que sustenta a base comercial do BRICS.
Moedas nacionais e o fim da dependência do dólar
Uma das mudanças mais significativas dentro do BRICS nos últimos anos é o aumento das transações em moedas nacionais.
Os pagamentos em yuan, rupia indiana e rublo russo cresceram de forma consistente, e mais de 67% do comércio dentro do BRICS já é realizado sem passar pelo dólar americano. Essa tendência foi reforçada nas cúpulas de chefes de Estado realizadas na Rússia em 2024 e no Brasil em 2025.
O especialista em Relações Internacionais Aníbal Garzón destaca que o fortalecimento do uso de moedas locais foi acompanhado pelo aprofundamento da cooperação Sul-Sul, criando cadeias de produção internas ao BRICS que antes dependiam de intermediação de países de fora do grupo.
O próximo passo, já em discussão, é a criação do BRICS Bridge, um sistema de pagamentos próprio, além do uso de moedas digitais nas transações internas. Se implementado, esse sistema pode reduzir ainda mais a dependência do dólar e ampliar o comércio mútuo entre os países do BRICS.
Os obstáculos que o BRICS precisa superar
Apesar dos números impressionantes, o BRICS enfrenta desafios concretos para manter o ritmo de crescimento. O primeiro é a distância geográfica.
Os países membros estão espalhados por América Latina, África, Oriente Médio, Ásia-Pacífico e Europa, o que eleva custos logísticos e cria realidades continentais muito distintas.
O BRICS não possui um acordo formal de comércio nem uma união aduaneira comum. Cada país mantém suas próprias regras comerciais e legislações, o que cria barreiras que podem travar o comércio.
Para contornar isso, o grupo aposta no desenvolvimento de corredores de transporte estratégicos: a Rota Marítima do Norte, que encurta a ligação entre Europa e Ásia; o corredor Norte-Sul, que conecta Rússia ao Irã, Índia e Golfo Pérsico; e o Corredor Transoceânico, anunciado por China e Brasil.
Além da logística, a simplificação e digitalização dos procedimentos aduaneiros é apontada como fator crítico. Na cúpula de Kazan, os países do BRICS adotaram uma declaração em que acordaram simplificar procedimentos e fortalecer a cooperação em padronização.
O que vem pela frente: bolsa de grãos e zonas de livre comércio
Entre as iniciativas mais ambiciosas em discussão está a criação de uma bolsa de grãos do BRICS, que com o tempo pode evoluir para uma bolsa de commodities completa.
A plataforma visa tornar o mercado de grãos mais transparente e previsível, protegendo produtores e consumidores contra especulação de preços e escassez artificial. Para o Brasil, maior exportador de soja do mundo e potência agrícola global, essa bolsa pode representar uma vantagem estratégica enorme dentro do BRICS.
Outra frente de expansão é a formação de zonas de livre comércio dentro do bloco, que transformariam as relações predominantemente bilaterais em uma colaboração econômica multilateral, reduzindo tarifas e eliminando barreiras não tarifárias.
Os países do BRICS respondem por mais de 40% da produção mundial de petróleo, cerca de 25% das exportações globais de matérias-primas e detêm 30% das reservas de minério de ferro do planeta. Se as zonas de livre comércio saírem do papel, o BRICS pode se tornar não apenas uma aliança política, mas o maior bloco comercial do mundo.
O BRICS vai mudar o comércio mundial de verdade?
O BRICS já movimenta US$ 1 trilhão por ano em comércio interno, representa quase 40% do PIB mundial e realiza mais de dois terços das suas transações em moedas próprias. A China puxa o grupo com 70% do volume comercial, e o Brasil garante a segurança alimentar e mineral do bloco. Os desafios existem, mas o tamanho do que está acontecendo não pode ser ignorado.
(Com informações de Click Petróleo e Gás)
Beneficiada pelo clima favorável, a colheita do mel se aproxima da reta final no Rio…
O Instituto Água e Terra (IAT) fechou uma trilha clandestina que permitia acessar o Parque…
A ampliação da guerra no Oriente Médio afeta em cheio um setor cada vez mais…
O Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) fará a operacionalização financeira do Programa…
O Indicador Cepea/CNA revelou que após um período de altas expressivas, até meados de março,…
A formação de um ciclone entre Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai, mas que dará as…
This website uses cookies.