Agricultura

Consumo recorde e alta do enxofre marcam o mercado de fertilizantes

O mercado brasileiro de fertilizantes segue aquecido em 2025 e caminha para um novo recorde de consumo. Dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA) mostram que, entre janeiro e agosto, foram entregues 30,5 milhões de toneladas de fertilizantes no país, um aumento de 9% em relação ao mesmo período do ano passado. Só em agosto, foram 5,2 milhões de toneladas, o maior volume mensal do ano.

O ritmo acelerado de entregas reflete a confiança do produtor rural, que segue antecipando compras para garantir o abastecimento da safra 2025/26. O Brasil, que figura entre os maiores consumidores de fertilizantes do mundo, importa cerca de 85% dos insumos usados nas lavouras — e isso mantém o setor atento a qualquer oscilação no mercado internacional.

Entre janeiro e outubro, as importações de matérias-primas do complexo NPK somaram 37,8 milhões de toneladas, alta de 4,6% sobre 2024. Mesmo com o câmbio e o frete ainda pressionando custos, o país mantém forte apetite por adubos, sustentado pela agricultura em expansão e pela busca por maior produtividade.

Um movimento importante em 2025 foi a mudança no tipo de produto adquirido. O mercado passou a priorizar fertilizantes menos concentrados, como sulfato de amônio (SAM) e superfosfato simples (SSP), em detrimento de produtos mais fortes como a ureia e o MAP. Essa substituição tem explicação prática: os produtos menos concentrados demandam maior volume físico para atender a mesma necessidade nutricional, o que eleva as movimentações portuárias e o total entregue.

O principal fator de preocupação no ano, porém, tem sido o salto nos preços do enxofre, insumo essencial para a produção de ácido sulfúrico, que é base da fabricação de fertilizantes fosfatados como SSP, TSP, MAP e DAP.

Em janeiro, o enxofre era negociado a cerca de R$ 950 a tonelada. Em novembro, algumas ofertas já ultrapassavam R$ 2.320), um aumento de mais de 130% em menos de um ano. O avanço é consequência direta da redução de oferta global, provocada por paradas em unidades russas da Gazprom, o que transformou o país — tradicional exportador — em importador do produto. A escassez no Mar Negro e no Mar Báltico desorganizou o mercado e fez disparar as cotações internacionais.

Com isso, a indústria brasileira de fertilizantes sente o impacto no custo de produção. Empresas que fabricam fosfatados passaram a enfrentar margens menores, o que pode resultar em repasse gradual de preços ao produtor rural nos próximos meses.

Mesmo com o aumento dos custos, o mercado segue otimista. As entregas e as importações continuam em ritmo forte, e analistas avaliam que o país deve encerrar 2025 com novo recorde histórico de consumo, confirmando a posição do Brasil como terceiro maior mercado de fertilizantes do mundo, atrás apenas da China e da Índia.

DEPENDÊNCIA – Especialistas reforçam, contudo, a importância do planejamento antecipado de compras, especialmente em estados como Mato Grosso, onde cerca de 20% dos insumos para a safra 2026/27 já foram adquiridos. A estratégia ajuda a minimizar o impacto da volatilidade e garantir a adubação no momento certo.

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), o Brasil precisa enfrentar com seriedade a dependência externa de insumos agrícolas. “Hoje, mais de 80% dos fertilizantes usados nas lavouras vêm de fora, o que nos torna vulneráveis a oscilações geopolíticas, logísticas e cambiais. Quando um país produtor reduz a oferta ou aumenta o preço, o impacto chega direto ao bolso do produtor rural e compromete a competitividade do agronegócio brasileiro”, frisou Isan.

“Nosso desafio é criar condições para produzir mais internamente — e isso passa por investimento em pesquisa, incentivos à indústria nacional e modernização da logística. Temos reservas de fósforo, potássio e enxofre que poderiam ser melhor exploradas, mas ainda dependemos de processos lentos de licenciamento e de políticas que deem segurança a quem quer investir nesse setor estratégico”,  disse.

“A autossuficiência em insumos é uma questão de soberania agrícola. O produtor brasileiro é eficiente no campo, mas precisa de estabilidade na base da cadeia. Enquanto importarmos a maior parte dos fertilizantes, estaremos sempre reféns das variações internacionais. É hora de o país tratar o tema como prioridade nacional, com planejamento de longo prazo e integração entre governo, pesquisa e iniciativa privada”, concluiu o Presidente do IA e da Feagro-MT.

(Com informações de Feagro)

Redação Agro7

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