Pecuária

Dois navios carregados com fertilizantes para o Brasil estão presos no Estreito de Ormuz

Os fertilizantes que o Brasil espera estão entre os 46 navios carregados com o insumo que ficaram retidos no Estreito de Ormuz controlado pelo Irã e alguns navios deram blackout desligando o GPS para evitar ataques o que dificulta saber quantas cargas destinadas ao Brasil ainda estão na região.

Pelo menos dois navios carregados com fertilizantes destinados ao Brasil estão retidos no Estreito de Ormuz, em meio ao conflito entre Estados Unidos e Irã. A informação é de levantamento feito pela Alphamar Agência Marítima a pedido do Valor/Globo Rural, que identificou também outros dois navios com o Brasil como destino declarado, embora sem detalhamento sobre a carga. Importadores brasileiros aguardam uma definição sobre a abertura do estreito, e até agora não há previsão de quando os fertilizantes vão chegar.

A situação é mais complexa do que os números iniciais sugerem. Segundo a Alphamar, 224 navios graneleiros estavam no Estreito de Ormuz enquanto circulavam informações sobre uma trégua desses, 63 estavam em movimento e 46 carregavam fertilizantes destinados a diversos países. Algumas embarcações ligadas a países envolvidos no conflito deram “blackout”, desligando o GPS para evitar ataques, o que torna ainda mais difícil identificar quantos navios com fertilizantes para o Brasil estão realmente retidos na região.

O que está acontecendo no Estreito de Ormuz e por que os fertilizantes estão presos

O Estreito de Ormuz é a passagem marítima mais estratégica do mundo para o comércio de petróleo e fertilizantes. Controlado geograficamente pelo Irã, por ele passam navios que transportam insumos essenciais para a agricultura global.

O conflito militar entre Estados Unidos e Irã transformou o estreito em zona de risco, e navios comerciais que normalmente passariam em horas ficaram retidos por dias ou semanas aguardando condições seguras de navegação.

Para os fertilizantes destinados ao Brasil, o impacto é direto. O país é um dos maiores importadores do insumo no mundo e depende de fornecedores do Oriente Médio e da Ásia Central para abastecer suas safras.

“Ainda não temos notícias de quando sairão da região”, afirmou Arthur Neto, sócio-diretor da Alphamar. A incerteza é agravada pelo fato de que muitos navios ainda não declararam o tipo de carga que transportam o que significa que o número real de fertilizantes retidos pode ser maior do que o identificado até agora.

Quantos navios com fertilizantes para o Brasil estão na zona de conflito

O levantamento da Alphamar identificou com certeza dois navios carregados com fertilizantes tendo o Brasil como destino. Outros dois navios também têm o país como destino declarado, mas sem confirmação sobre o que carregam.

Um deles havia partido do porto de Paranaguá e descarregou açúcar no Irã possivelmente retornando com carga de fertilizantes, embora isso não esteja confirmado.

A dificuldade em mapear a situação completa é um problema em si. Arthur Neto explicou que a identificação dos navios e suas cargas está prejudicada porque embarcações de empresas ligadas a países envolvidos no conflito desligaram seus sistemas de rastreamento para evitar ataques.

Sem GPS ativo, esses navios ficam invisíveis para rastreadores comerciais. É uma medida de segurança compreensível, mas que deixa importadores brasileiros de fertilizantes às cegas sobre quando e se suas cargas vão chegar.

O que a retenção de fertilizantes no Ormuz significa para a safra brasileira

O Brasil importa mais de 80% dos fertilizantes que consome, e qualquer interrupção no fluxo de abastecimento gera efeito cascata na agricultura.

Fertilizantes que não chegam a tempo significam plantios atrasados, produtividade menor e custos mais altos para o produtor rural que precisa comprar o insumo no mercado spot a preços inflacionados ou adiar a aplicação e aceitar a perda de rendimento.

O timing é especialmente crítico. A safra brasileira opera em janelas apertadas de plantio e adubação, e atrasos de semanas na entrega de fertilizantes podem comprometer a produtividade de áreas extensas. Enquanto os navios permanecem retidos no Estreito de Ormuz, importadores brasileiros calculam prejuízos e buscam alternativas como redirecionamento de cargas de outros fornecedores ou uso de estoques internos que, dependendo da região, podem ser insuficientes.

A dependência do Brasil de fertilizantes importados transforma um conflito militar no Oriente Médio em ameaça direta ao campo brasileiro.

O que se espera para os próximos dias e o que os importadores podem fazer

Informações iniciais indicaram que o Irã teria reaberto o Estreito de Ormuz após uma trégua de duas semanas com os Estados Unidos, mas a situação permanece incerta.

Mesmo com reabertura parcial, o acúmulo de navios na região significa que o fluxo normal de fertilizantes e outras cargas levará tempo para se normalizar dezenas de embarcações disputando passagem ao mesmo tempo geram congestionamento que pode se arrastar por semanas.

Para os importadores brasileiros de fertilizantes, o cenário exige monitoramento constante e planejamento de contingência.

A recomendação de especialistas em logística é diversificar fornecedores para reduzir a dependência de rotas que passam por pontos de estrangulamento como o Ormuz algo mais fácil de dizer do que de fazer quando os maiores produtores de fertilizantes do mundo estão justamente nessa região. O conflito no Oriente Médio é um lembrete de que a segurança alimentar brasileira depende de cadeias de suprimento que cruzam alguns dos pontos mais instáveis do planeta.

(Com informações de Click Petróleo e Gás)

Redação Agro7

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