Agricultura

Geopolítica no centro do segundo dia do Copacol Agro 2026

A geopolítica mundial passou a ter influência direta sobre o agronegócio brasileiro e os produtores precisam acompanhar atentamente os movimentos internacionais para evitar impactos econômicos inesperados. A análise foi feita pelo cientista político, Professor Hoc, no segundo dia do Copacol Agro 2026, nesta quarta-feira, em Cafelândia, no Oeste do Paraná.

Segundo ele, praticamente todos os fatores que hoje afetam os custos e a competitividade do agro passam por decisões e conflitos globais. “O preço do petróleo, dos combustíveis, dos fertilizantes e até a valorização do dólar têm relação direta com a geopolítica. Guerra no Oriente Médio, disputas comerciais entre Estados Unidos e China, tudo isso impacta diretamente o agronegócio”.

Hoc explicou que o agro brasileiro está inserido em um mercado globalizado e, por isso, depende da compreensão dos cenários internacionais. “Não dá para o agro funcionar hoje sem entender geopolítica. As commodities são precificadas em dólar e qualquer tensão mundial interfere no mercado”.

O palestrante citou como exemplo positivo a guerra comercial entre Estados Unidos e China, iniciada em 2018, que ampliou as exportações brasileiras para o mercado chinês. “A geopolítica envolve ganhadores e perdedores. Quando a China retaliou os Estados Unidos, o Brasil acabou sendo beneficiado nas exportações de soja”.

Durante os três dias do evento, 10,5 mil cooperados são aguardados para conhecer novidades tecnológicas e participar de palestras técnicas voltadas a Agricultura, Avicultura, Suinocultura Psicultura e Bovinocultura de Leite. São mais de 90 estandes de empresas parceiras que oferecem inovações para os produtores que atuam com a Cooperativa. Outro momento importante da feira foi o Encontro Anual de Suinocultores, que contou com a participação de Elias José Zydek, presidente da Central Frimesa, formada pela Copacol, Copagril, C.Vale, Lar e Primato. “O desafio é manter o custo de produção, com o manejo aprimorado. Além disso, precisamos abrir mercados. O Paraná está aguardando liberação do México, Coreia do Sul e Japão para que possa importar nossos produtos, mercados importantes para que possamos expandir as exportações”, afirmou Zydek.

GEPOLÍTICA

Apesar das oportunidades, durante encontro com os cooperados, Professor Hoc alertou para os riscos da forte dependência brasileira do mercado chinês. “O Brasil depende demais da China. Economicamente isso parece ótimo, mas geopoliticamente é um risco enorme, porque o país fica exposto às decisões de um único parceiro comercial”.

Sobre as recentes restrições envolvendo exportações de carne brasileira para a União Europeia, o professor acredita em melhora no longo prazo, principalmente após o acordo de livre comércio firmado entre Mercosul e União Europeia. “A Europa precisa de novos parceiros estratégicos por razões geopolíticas. O acordo mostra que o Brasil já foi escolhido como parceiro importante e acredito que essa questão da carne não deve durar muito tempo”.

(Com Assessoria Coopacol)

Redação Agro7

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