Foto: Lucas Costa / Mapa
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou nesta quinta-feira (7) as novas portarias do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para a cultura do girassol no Brasil. A atualização marca um avanço importante para o setor ao incorporar uma metodologia mais moderna e detalhada, que agora considera seis classes de água disponível no solo, aumentando a precisão das recomendações para o plantio.
A nova versão do Zarc Girassol busca oferecer mais segurança ao produtor rural diante das adversidades climáticas, além de contribuir para a redução de perdas na lavoura e maior estabilidade da renda no campo.
Segundo o pesquisador da Embrapa Soja, José Renato Bouças Farias, o aprimoramento utilizou novas metodologias, parâmetros atualizados e uma base climática mais robusta. “O Zarc é uma ferramenta de análise do risco derivado da variabilidade climática e considera as características da cultura e do solo”, explica.
Uma das principais mudanças está na substituição da antiga classificação baseada em apenas três tipos de solo. Agora, o sistema passa a trabalhar com seis classes de disponibilidade hídrica, permitindo uma leitura mais próxima da realidade das áreas de produção brasileiras.
De acordo com Farias, a água disponível será estimada com base nos teores de silte, areia e argila de cada solo, utilizando uma função de pedotransferência ajustada para as condições do Brasil.
Além disso, o novo modelo já está preparado para incorporar futuramente diferentes níveis de manejo do solo e sistemas produtivos, o que pode tornar o zoneamento ainda mais eficiente nos próximos anos.
O estudo define áreas e janelas de semeadura para o cultivo do girassol com probabilidades de perdas inferiores a 20%, 30% e 40%, considerando eventos climáticos adversos.
O pesquisador reforça, porém, que o Zarc não aponta necessariamente as regiões de maior produtividade, mas sim aquelas com menor risco climático para a cultura.
A validação da nova metodologia contou com representantes da cadeia produtiva do girassol em reuniões realizadas no fim de 2025.
Outro diferencial da atualização foi a inclusão do risco fitossanitário associado às condições climáticas. O objetivo é ajudar produtores a evitarem períodos mais favoráveis ao desenvolvimento de doenças de difícil controle.
Entre os problemas monitorados estão:
Segundo a Embrapa, o estudo também procurou identificar áreas e períodos de menor risco para ocorrência dessas doenças, fortalecendo o potencial produtivo do girassol no Brasil.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a área cultivada com girassol na safra 2025/2026 ultrapasse 63 mil hectares. A produção está concentrada principalmente em Goiás, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Mato Grosso.
Apesar do potencial da cultura em sistemas diversificados e rentáveis, especialistas apontam que as oscilações climáticas ainda limitam o desempenho da oleaginosa no país.
O girassol apresenta boa tolerância à seca e às baixas temperaturas, mas demanda entre 500 e 700 mm de água bem distribuídos ao longo do ciclo para alcançar bom desempenho produtivo.
As fases mais sensíveis à falta de água ocorrem:
A atualização do Zarc utilizou séries históricas de aproximadamente 30 anos, revisadas e atualizadas com dados de estações meteorológicas convencionais e automáticas de diversas instituições.
Segundo a Embrapa, o banco de dados reúne informações de chuva desde 1993 e contempla cerca de 4.200 pontos distribuídos pelo território nacional.
Desde 1996, o Zarc é utilizado pelo Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) e também serve de base para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), abrangendo mais de 40 culturas agrícolas.
Dados apresentados pela Embrapa apontam que o Brasil perde cerca de R$ 11 bilhões por ano devido a eventos climáticos extremos, como seca, geada, granizo, excesso de chuva e doenças favorecidas pelo clima.
Com a nova versão do Zarc para o girassol, a expectativa é tornar o crédito rural e o seguro agrícola mais eficientes, além de aproximar os riscos climáticos da realidade enfrentada pelos produtores no campo.
Os produtores podem consultar as informações do zoneamento por meio da plataforma Painel de Indicação de Riscos, disponível no site do Ministério da Agricultura, além do aplicativo móvel Zarc Plantio Certo, disponível para Android e iOS.
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