Agricultura

Nova regra da Receita muda acesso a benefício fiscal nas exportações do agro

A nova regulamentação do Programa de Operador Econômico Autorizado (OEA), publicada pela Receita Federal, muda a forma como empresas do agronegócio acessam benefícios tributários nas exportações e tende a alterar a dinâmica de custos ao longo da cadeia.

Na prática, a certificação no OEA deixa de ser apenas um selo de conformidade aduaneira e passa a influenciar diretamente o acesso a vantagens fiscais previstas na reforma tributária. Para operações de exportação indireta (aquelas feitas via tradings), a exigência de certificação passa a ganhar peso e pode definir quem consegue operar com suspensão de tributos e quem ficará de fora.

O impacto ocorre em uma cadeia que movimenta volumes expressivos. Só em 2025, o agronegócio brasileiro exportou cerca de R$ 881 bilhões, respondendo por quase metade das vendas externas do País. É nesse fluxo que a nova regra passa a interferir.

Para o produtor, o efeito não é direto na porteira, mas chega pelo custo da operação. Tradings e empresas mais estruturadas, que já possuem certificação, tendem a operar com mais eficiência tributária, o que melhora margem e competitividade. Já quem está fora do programa pode enfrentar custos maiores ou mais dificuldade para estruturar negócios de exportação.

A nova norma também cria níveis diferentes dentro do OEA. Uma modalidade mais simples amplia o acesso ao programa, enquanto categorias mais avançadas concentram os principais benefícios, como maior agilidade em processos e tratamento diferenciado pela fiscalização.

Na prática, isso significa menos tempo com carga parada, menor necessidade de capital de giro e mais previsibilidade nas operações — fatores que pesam especialmente em cadeias como grãos, carnes, açúcar, etanol e fibras.

Os números mostram que o programa ainda tem espaço para crescer. Hoje, pouco mais de 800 empresas no Brasil possuem certificação OEA, um universo pequeno diante do total de empresas que operam no comércio exterior.

Para o agro, o recado é claro: a certificação tende a deixar de ser diferencial e passar a ser requisito. Em um cenário de margens apertadas e custos elevados, acesso a benefícios fiscais e eficiência logística podem fazer diferença direta no resultado.

Na prática, isso pode influenciar desde o preço pago ao produtor até a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional. Quanto mais estruturada for a operação — inclusive do ponto de vista tributário —, maior a capacidade de competir fora do País.

A mudança reforça uma tendência mais ampla: a de vincular benefícios fiscais a padrões de conformidade e controle. Para quem está na cadeia do agro, acompanhar esse movimento deixa de ser opcional e passa a fazer parte da estratégia de negócio.

(Com informações de Feagro/MT)

Redação Agro7

Sobre o Agro7 O Agro7 é um portal de notícias especializado em agronegócio, criado para oferecer informação clara, atualizada e confiável a produtores rurais, cooperativas, profissionais do setor e a todos que vivem o dia a dia do campo. Nosso compromisso é conectar o leitor às principais tendências, dados de mercado, novidades tecnológicas, políticas públicas, clima, sustentabilidade e aos desafios e oportunidades que movem o agro brasileiro e mundial. Com uma linha editorial independente e orientada pela credibilidade, o Agro7 busca traduzir temas complexos em conteúdo acessível, reunindo análises, reportagens, entrevistas e artigos produzidos por especialistas do setor. Nosso objetivo é apoiar a tomada de decisão e fortalecer o conhecimento de quem participa da cadeia produtiva que mais impulsiona o país. Mais do que um portal de notícias, o Agro7 é um espaço de informação, diálogo e construção de futuro — onde o agro é visto com profundidade, responsabilidade e inovação.

Compartilhar
Publicado por
Redação Agro7
Tags: zbloco1

Matérias recentes

Carnes e soja fazem exportações do agro somar R$ 80 bilhões em maio

Impulsionado pelo avanço das exportações de soja e proteínas animais, o agronegócio brasileiro movimentou cerca…

13 de junho de 2026

Paraná terá tempo estável na estreia do Brasil na Copa e retorno das chuvas no domingo

Desde quarta-feira (10) a chuva voltou a fazer parte do cotidiano da maioria dos paranaenses.…

12 de junho de 2026

Estimativa de safra de maio tem Paraná entre os protagonistas do crescimento nacional

A previsão da safra de maio, divulgada nesta quinta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia…

11 de junho de 2026

Coopavel investe R$ 30 milhões em novos aviários

A Coopavel investe R$ 30 milhões na construção de 28 novos aviários em seu complexo…

11 de junho de 2026

Simepar prevê tempestades nas regiões Oeste e Norte do Paraná

Tempestades e altos volumes acumulados de chuva estão previstos para esta quinta (11) e sexta-feira…

11 de junho de 2026

RS registra casos de greening em plantas cítricas

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou os primeiros casos de greening (Huanglongbing – HLB) em plantas…

10 de junho de 2026

This website uses cookies.