FOTO: ARQUIVO PESSOAL
Enquanto a maioria das pessoas busca conexão e “atenção Plena” em aplicativos e retiros, a família de Lucimara Walendorff, em Chapecó, encontrou essas respostas no gramado de casa. Otragal, um lagarto teiú que “escolheu” a residência no Bairro Jardim Itália, não é apenas um fenômeno das redes sociais com 14 milhões de visualizações; ele se tornou um exercício vivo de limites e respeito à alteridade.
O que torna essa história inusitada não é apenas um réptil frequentar uma cozinha, mas a recusa da família em “domesticá-lo”. Em uma era de pets humanizados, Lucimara mantém uma postura firme: Otragal é um vizinho, não um brinquedo.
A explosão de seguidores nas redes sociais (40 mil em tempo recorde) revela um sintoma da nossa sociedade: o fascínio pelo inevitável. Ver um animal silvestre que pode morder, mas escolhe confiar, gera uma espécie de “Realismo Fantástico” catarinense.
“Ele é livre para ir e vir. Acreditamos que, em algum momento, ele pode ir embora”, afirma Lucimara.
Essa desapego é o ponto mais inusitado da relação. No mundo dos algoritmos que tentam prender nossa atenção, a família Walendorff celebra um “seguidor” que pode simplesmente desaparecer no mato a qualquer momento, sem dar explicações.
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