Foto: Denis Ferreira Netto/SEDEST
Tem onça no pedaço — e não é força de expressão. Cada vez mais, os “gatinhos” estão aparecendo onde antes a gente só via gado, galinhas e gente mesmo: nas áreas rurais e, vez ou outra, até nas cidades. A aproximação desses grandes felinos aos ambientes humanos vem crescendo com a perda de habitat e o avanço das áreas urbanas. E, para dar conta dessa nova realidade, o Instituto Água e Terra (IAT) realiza nesta quinta-feira (30), em Curitiba, o curso intensivo “Atendimento a Ocorrências com Grandes Felinos: Coexistência, Manejo e Prevenção de Conflitos”.
A formação, voltada a profissionais que lidam diretamente com fauna silvestre, vai reunir 134 participantes — entre presença física e online — na Unicesumar. A ideia é aprimorar o preparo técnico para lidar com encontros inesperados (e, convenhamos, emocionantes) com as onças, além de pensar em estratégias para reduzir os conflitos com humanos e animais domésticos.
O treinamento é uma iniciativa da Gerência de Biodiversidade do IAT, em parceria com o Projeto Onças do Iguaçu, e pretende não só reforçar as medidas de segurança, mas também aumentar a tolerância e o entendimento da sociedade sobre esses felinos. Técnicas como o uso de cercas elétricas, recolhimento de gado à noite e métodos de afugentamento não letal estão entre as orientações práticas discutidas no evento.
De acordo com dados do Instituto, o aumento de registros de grandes felinos em áreas rurais e Unidades de Conservação acompanha o avanço da ocupação humana sobre a vegetação nativa. Com menos espaço e menos presas disponíveis, as onças acabam se aventurando em territórios antes dominados pelos humanos.
Para a bióloga Nathalia Colombo, da Diretoria do Patrimônio Natural do IAT, o curso é um passo importante na construção de uma convivência mais harmoniosa:
“A coexistência com esses animais exige a criação de um ambiente onde humanos e a vida selvagem possam viver lado a lado, por meio da educação ambiental e de estratégias de comunicação que engajem a sociedade. É possível minimizar conflitos com manejo adequado e informação”, explica.
Entre os participantes estão servidores do IAT e da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (Sedest), além de representantes do Ibama, Batalhão de Polícia Ambiental, Polícia Civil, Defesa Civil, secretarias municipais e universidades.
A mensagem é clara: as onças não são “invasoras”, são apenas vizinhas antigas tentando se adaptar às mudanças no bairro. E cabe a nós aprender a conviver com esses felinos incríveis — afinal, quem nunca quis ter um “gatinho” desses por perto (ainda que de longe e com muito respeito)?
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