Agricultura

Soja no Brasil avançará pouco em 26/27 e precisará de Biocombustíveis

safra de soja 2026/27 do Brasil, com plantio começando em meados de setembro, deverá ter o menor crescimento de área plantada em 20 anos, com produtores lidando com custos mais altos dos fertilizantes e preços da commodity mais baixos, avaliou nesta terça-feira a consultoria Veeries.

Em cenário de prazo mais longo, a Veeries apontou ainda que os biocombustíveis serão a principal alavanca de crescimento da produção de soja e milho do Brasil, e não mais as exportações de grãos, especialmente para China, como aconteceu nos últimos 20 anos com a oleaginosa.

Segundo o diretor da consultoria Veeries, Fabio Meneghin, a safra 2026/27 no maior produtor e exportador global de soja terá a área ampliada em cerca de 400 mil hectares em relação ao ciclo anterior, uma vez que o setor lida com margens apertadas nos últimos anos, e agora enfrenta a alta no custo dos fertilizantes fosfatados por conta da guerra no Irã.

“Os maiores produtores já compraram adubos, mas o que nos preocupa são os médios que ainda estão esperando alguma oportunidade”, disse o especialista em evento da consultoria em São Paulo, acrescentando que a janela para compras do insumo, importado em sua maioria pelo Brasil, “está se apertando”.

“As próprias empresas que vendem os fertilizantes estão sem confiança de trazer o produto de fora”, afirmou, explicando que no caso dos fosfatados os preços subiram pelas interrupções no transporte pela guerra no Irã, além de cortes das exportações pela China.

O pequeno crescimento de área no Brasil deverá ocorrer em regiões com melhores margens nos últimos anos, como Mato Grosso, acrescentou ele.

Meneghin disse que há ainda alta de custos com fertilizantes nitrogenados, mas esses só deverão ser usados em grande escala no plantio de milho, a partir de janeiro — a soja não demanda esse tipo de insumo pois faz a fixação biológica do nitrogênio do ar no solo.

A última vez em que o Brasil reduziu área plantada com soja foi há cerca de 20 anos, quando havia uma combinação de juros altos, dólar em queda e uma supersafra dos EUA.

Cenário futuro

O CEO da Veeries, Marcos Rubin, traçou ainda um cenário para os próximos anos do plantio de grãos no Brasil, destacando que as exportações de grãos para a China não serão mais o fator fundamental para o crescimento de safra, mas sim a produção de biocombustíveis.

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“A China é e vai continuar sendo o nosso principal cliente de soja… mas a China não será a principal alavanca do crescimento”, disse ele, lembrando que o período de “crescimento exponencial de demanda” chinesa já passou, uma vez que a população do país asiático agora se urbanizou, em sua maioria, e também passa a cair.

agronegócio do Brasil terá oportunidades nas chamadas novas geografias, como Norte da África, Oriente Médio e emergentes da Ásia, mas o crescimento da demanda por alimentos desse grupo é mais lento do que foi na China.

“Não temos um substituto perfeito para a China”, disse ele, citando que a Índia vai demandar mais alimentos do Brasil em algum momento, mas não nos próximos cinco anos.

Neste contexto, os biocombustíveis tradicionais — com maiores mandatos nas misturas de biodiesel e etanol nos combustíveis fósseis — e os avançados, como combustível de aviação (SAF) e o HVO (diesel verde), vão se tornar fundamentais para as projeções de safras dos próximos anos.

“Nos últimos 20 anos, produzimos soja e milho para atender a alimentação humana, e a China estava por trás, daqui para frente vamos continuar produzindo para alimentos, mas não podemos abrir mão da oportunidade que os biocombustíveis geram…”, disse Rubin.

Ele estimou que a taxa de crescimento anual da demanda por soja até 2031 seria de 3,5%, com impulso principalmente do biodiesel. Sem o biocombustível, a alta seria de 2,1%.

No caso do milho, a demanda cresceria 5,8% no mesmo período, considerando o consumo de ração, mas principalmente com o direcionamento do cereal para a produção de etanol. Sem o biocombustível, a alta seria de 2,6%.

A Veeries projeta ainda que a área plantada de soja no Brasil cresça 2,4% ao ano para 54,6 milhões de hectares, com a produção brasileira passando das atuais 186 milhões de toneladas para 215 milhões de toneladas em cinco anos.

No caso do milho, a área plantada aumentaria 3,9% ao ano para 27 milhões de hectares em 2031, com a produção saltando de 144 milhões em 2026 para 189 milhões de toneladas em 2031.

(Com informações de Forbes Brasil)

Redação Agro7

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