Foto: © UNIÃO EUROPEIA/MERCOSUL
Assinado neste sábado (17), no Paraguai, o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia promete ampliar mercados, reduzir tarifas e gerar novas oportunidades para o agronegócio brasileiro, com impactos diretos para o Paraná, um dos principais estados exportadores do país.
Após 26 anos de negociações, o tratado une dois dos maiores blocos econômicos do mundo e cria uma área de livre comércio com cerca de 700 milhões de consumidores. Autoridades sul-americanas e europeias destacaram o multilateralismo e o comércio baseado em regras como resposta ao avanço do protecionismo global.
Durante a cerimônia, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou que o acordo reforça o compromisso com o comércio justo e o direito internacional. A presidenta da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ressaltou que o pacto prioriza parcerias de longo prazo e tem potencial para conectar continentes e cadeias produtivas.
O acordo Mercosul–União Europeia prevê redução de tarifas e ampliação do acesso de produtos agrícolas e agroindustriais ao mercado europeu. Entre os setores beneficiados estão grãos, carnes, açúcar, etanol, café e produtos florestais.
Para o agronegócio brasileiro, o tratado pode estimular investimentos, ampliar a competitividade e fortalecer a integração produtiva com a Europa, além de abrir espaço para produtos com maior valor agregado.
No Paraná, os efeitos do acordo tendem a ser ainda mais significativos. O estado é líder nacional na produção de frango, referência em proteína animal, grãos e cooperativismo agroindustrial. Com o novo cenário comercial, cooperativas e agroindústrias paranaenses podem ampliar exportações para a União Europeia, especialmente nos segmentos de carnes, alimentos processados, biocombustíveis e derivados do agronegócio.
Além disso, o Paraná se destaca por investimentos em sustentabilidade, rastreabilidade e inovação, fatores essenciais para atender às exigências ambientais e sanitárias do mercado europeu.
Apesar das oportunidades, especialistas alertam que o acordo também traz desafios. A União Europeia mantém padrões rigorosos relacionados a meio ambiente, bem-estar animal e segurança alimentar. Nesse contexto, produtores e indústrias precisarão intensificar práticas sustentáveis e certificações, o que pode acelerar a modernização do setor.
Após a assinatura, o texto será submetido à ratificação do Parlamento Europeu e dos congressos nacionais dos países do Mercosul. A entrada em vigor da parte comercial depende da aprovação legislativa e deve ocorrer de forma gradual nos próximos anos.
Mesmo assim, o acordo Mercosul–União Europeia já é visto como um marco estratégico para o agronegócio e uma oportunidade concreta de fortalecer o papel do Paraná no comércio internacional.
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