Imagem: Correio do Canadá
Milhares de agricultores espanhóis tomaram as ruas de Madrid nesta semana em um forte protesto contra o acordo de livre-comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul. A mobilização levou centenas de tratores ao centro da capital e bloqueou vias estratégicas, em um ato que também criticou possíveis cortes na Política Agrícola Comum (PAC).
De acordo com informações divulgadas pela imprensa internacional, cerca de 367 tratores e aproximadamente 2.500 manifestantes participaram do ato na capital espanhola . Os produtores seguiram até a sede do Ministério da Agricultura com faixas e cartazes contra o acordo comercial.
As principais organizações agrárias alegam que o acordo permitirá maior entrada de produtos agropecuários do Mercosul — bloco formado por Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia — com custos de produção inferiores aos europeus. Para os manifestantes, isso criaria concorrência desleal, já que os agricultores da UE enfrentam exigências ambientais, sanitárias e trabalhistas mais rigorosas.
Lideranças do movimento afirmaram que o tratado coloca em risco a rentabilidade das propriedades familiares e a própria soberania alimentar europeia .
Além do acordo, os agricultores criticam cortes previstos na nova fase da PAC, que podem reduzir subsídios e apoios diretos ao campo .
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, classificou o acordo como estratégico para a economia europeia, destacando oportunidades de exportação para setores industriais e agrícolas .
O tratado ainda precisa passar por etapas de ratificação nas instituições europeias, o que mantém o tema no centro do debate político.
Especialistas apontam que o acordo UE-Mercosul criaria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, abrangendo mais de 700 milhões de consumidores. No entanto, a resistência de produtores rurais em vários países — como Espanha, França e Polônia — tem ampliado a pressão sobre governos nacionais.
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Principais pontos do tratado:
Ponto de tensão:
Agricultores europeus temem que o aumento das importações de proteína animal e grãos pressione preços internos e reduza margens no campo.
Impacto para o Brasil:
Para o agro brasileiro, o acordo representa a possibilidade de ampliar exportações de carne bovina, frango, açúcar e etanol ao mercado europeu, considerado estratégico e de alto valor agregado.
O protesto em Madrid reforça um movimento mais amplo de insatisfação no campo europeu. Nos últimos meses, agricultores têm organizado bloqueios e manifestações em diversos países da UE, alertando para o aumento de custos, exigências ambientais e perda de competitividade.
O avanço do acordo UE-Mercosul dependerá agora do equilíbrio entre interesses comerciais e a pressão política exercida pelo setor produtivo europeu — que demonstra estar disposto a manter a mobilização.
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