Foto: Faep
Invasões de terra voltam a preocupar. Na manhã deste sábado (27), cerca de 250 pessoas ligadas à Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL) e ao Movimento de Terra e Alimento invadiram a Fazenda Santa Fé, em Xambrê, município do Noroeste do Paraná, dando início a mais um episódio de confrontos agrários no estado. A ação ocupou uma propriedade produtiva de grande porte e mobilizou forças de segurança para conter a escalada de tensão no campo.
Equipes do 25º Batalhão da Polícia Militar do Paraná, com sede em Umuarama, estão no local desde o início da ocupação, mantendo o acesso à fazenda controlado e impedindo confrontos diretos entre os invasores e trabalhadores rurais. Até o momento, não foram registradas vítimas feridas.
A invasão ocorre em meio a um contexto de escalada de conflitos por terra no Oeste paranaense, onde disputas envolvendo comunidades indígenas, movimentos sociais e proprietários rurais têm se intensificado nos últimos meses. Em áreas próximas a Guaíra e Terra Roxa, episódios de ocupações e confrontos já haviam gerado relações de insegurança jurídica e física, com relatos de violência entre produtores e grupos reivindicatórios de terras.
Especialistas em temas fundiários observam uma tendência de aumento nas ocupações de propriedades rurais no Oeste do Paraná, muitas delas relacionadas à reivindicação histórica de terras pelas comunidades indígenas avá-Guarani. Embora alguns desses grupos tenham iniciado processos de ocupação em áreas adquiridas pela União como reparação por danos de grandes obras, a falta de definição jurídica sobre limites territoriais alimenta disputas prolongadas.
Segundo levantamento de organizações que monitoram conflitos agrários no país, nos últimos anos dezenas de conflitos relacionados a direitos territoriais foram registrados em várias regiões e incluem tanto disputas por terra quanto episódios de violência e ameaças contra povos indígenas e produtores rurais — reflexo das dificuldades em conciliar reivindicações históricas com a produção agrícola no cenário contemporâneo.
Em nota oficial divulgada nesta segunda-feira (29), o Sistema FAEP (Federação da Agricultura do Estado do Paraná) expressou “repúdio à invasão de propriedade rural em Xambrê”, classificando a ocupação como um ato ilegal que afronta o Estado de Direito e compromete a atividade produtiva na região. A entidade informou que já solicitou apoio ao Secretário de Segurança Pública do Paraná, Coronel Hudson Leôncio Teixeira, para que sejam tomadas medidas para a imediata reintegração de posse. O presidente da FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, destacou que sequer a chegada de forças policiais tem sido suficiente para cessar a sensação de insegurança vivida por produtores no estado, e afirmou que “a invasão de propriedades produtivas e privadas constitui ato ilegal e afronta direta ao Estado de Direito, além de comprometer a produção agropecuária e desestimular investimentos no setor”.
A instituição reiterou seu apoio à tese do Marco Temporal, tese jurídica que sustenta que as demarcações de terras indígenas devem ser limitadas à situação de ocupação existente em 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal. A FAEP argumenta que a aplicação clara dessa regra garantiria maior segurança jurídica aos produtores rurais, reduzindo a insegurança que, segundo a entidade, tem impulsionado confrontos no campo.
O Marco Temporal, regulamentado pela Lei nº 14.701/2023, é objeto de intenso debate no cenário jurídico nacional, pois sua interpretação influencia diretamente os processos de demarcação de terras indígenas em todo o país. Enquanto defensores no meio rural defendem sua aplicação para limitar novas demarcações, lideranças indígenas argumentam que a regra ignora a realidade histórica de expulsões e deslocamentos anteriores a 1988, que muitas vezes impossibilitaram a presença física nos territórios tradicionais.
Especialistas em conflitos agrários observam que a tensão em áreas rurais tende a aumentar enquanto não houver uma definição mais clara sobre critérios de posses, demarcações e compensações. O Paraná e outras regiões do Sul e Centro-Oeste do Brasil, que vivem disputas semelhantes, destacam a necessidade de diálogo entre governo, movimentos sociais, comunidades indígenas e produtores para a construção de soluções duradouras.
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