Meio Ambiente

Ibama desativa o último criadouro de macacos-prego do país

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) concluiu, nesta semana, o encerramento das atividades de um estabelecimento situado em Xanxerê (SC) que criava e comercializava macacos-prego, saguis e outras espécies da fauna brasileira. No local, foram constatadas graves situações de maus-tratos. O criadouro funcionou por força de liminar judicial por mais de uma década.

Do local, já haviam sido retirados 167 animais, sendo 126 aves e 41 primatas, os quais foram levados para os Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) situados em Brasília (DF), Lorena (SP) e Porto Alegre (RS), no ano passado. Dessa vez, para a retirada dos 26 macacos-prego remanescentes, foi necessária a expedição de mandado judicial para ingresso na propriedade, diante da obstrução imposta pelo autuado às equipes de fiscalização.

Macaco-prego resgatado apresenta medo exacerbado

Os animais apreendidos foram encaminhados a instituições especializadas em reabilitação física e comportamental, situadas em outro estado, com apoio logístico da Polícia Rodoviária Federal. A ação contou ainda com o apoio do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA-SC), da Polícia Militar Ambiental e de outras instituições parceiras.

“O encerramento desse estabelecimento, que operava sem o devido licenciamento ambiental, amparado apenas por decisão judicial posteriormente revogada, representa uma importante vitória para a proteção das espécies do gênero Sapajus no Brasil, algumas das quais ameaçadas de extinção”, declara o superintendente do Ibama em Santa Catarina, Paulo Maués.

Funcionamento irregular e flagrante de maus-tratos

De acordo com uma das fiscais do Ibama envolvidas na apreensão dos animais, “o criadouro funcionava apenas para a reprodução dessas espécies, visando ao lucro com a exploração desses animais, tratando-os como meras mercadorias”. Além disso, o estabelecimento não atendia às normas de estrutura definidas pelo Ibama, nem garantia o mínimo de bem-estar para os espécimes.

Durante a vigência da liminar que permitiu o funcionamento do criadouro de 2013 a 2024, o estabelecimento declarou a venda de 240 primatas, sendo 86 macacos-prego e 154 saguis, com valores que ultrapassavam R$ 100 mil por animal.

Com a cassação da liminar, o Ibama iniciou, em 2024, o processo de desativação do criadouro, onde foram constatadas graves irregularidades, incluindo situações de maus-tratos. Os animais eram mantidos em pequenas gaiolas, que não possibilitavam espaço suficiente para movimentos básicos dos macacos, como a escalada. Foram observados ainda quadros de desnutrição funcional, sinais de estresse crônico, privação de luz solar e a separação precoce de filhotes e suas mães.

“Esses macacos apresentavam alto grau de comportamento típico de estresse, de cativeiro inadequado. O manejo desses animais era feito na base do terror, com jatos d’água de alta pressão. Todos tinham sintomas de aversão a pessoas, demonstrando um medo exacerbado”, relata a fiscal. Segundo ela, o estresse era tão elevado, que eles já não desenvolviam mais os comportamentos esperados para a espécie, como a estruturação hierárquica de grupos.

Novo lar: macaco-prego em recinto amplo e com ambientação adequada

Um novo lar

Agora, os últimos primatas resgatados estão abrigados em uma instituição especializada em reabilitação de fauna, a qual dispõe de amplos recintos, com terra, vegetação e estrutura para escalada. “Além da ambientação adequada, já estão sendo fornecidos todos os nutrientes e exercícios necessários para o restabelecimento das condições de saúde desses animais, para que possam voltar a se expressar e se comportar conforme o previsto para a espécie”, acrescenta a servidora.

“Daqui pra frente, no novo lar, eles terão a oportunidade de compor bandos e viver socialmente, o que é fundamental para qualquer primata”, acredita a fiscal do Ibama. “Eles serão tratados com respeito para que possam recuperar a sua dignidade”, conclui.

Domesticação de primatas não é recomendada

A criação de macacos-prego como animais de estimação não é recomendada pelos órgãos ambientais, tendo em vista sua inadequação ao ambiente doméstico, o que compromete seus comportamentos naturais e frequentemente resulta em manejo abusivo, maus-tratos e riscos sanitários relevantes.

(Com informações de IBAMA)

Redação Agro7

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