Santa Catarina, principal polo produtor de cebola no Brasil, enfrenta uma crise profunda no mercado da hortaliça que ameaça empregos, renda familiar e a continuidade da próxima safra no estado. Produtores relatam vender o produto por cerca de R$ 0,75 por quilo, muito abaixo do custo médio estimado de R$ 1,40 — um cenário que faz com que agricultores digam estar literalmente “pagando para trabalhar”.
Com produção estimada em mais de meio milhão de toneladas nesta safra, a queda nos preços expõe um colapso que ultrapassou o campo e chegou às administrações municipais. Ao menos sete cidades catarinenses emitiram decretos de situação de emergência econômica para tentar mitigar os impactos entre produtores e comunidades que dependem da cadeia produtiva da cebola.
Entre os municípios com emergência decretada estão Ituporanga — conhecida como a “Capital Nacional da Cebola” — além de Atalanta, Imbuia e Chapadão do Lageado, no Alto Vale do Itajaí; Lebon Régis, no Meio-Oeste; e Leoberto Leal e Alfredo Wagner, na Grande Florianópolis.
Imagens que circulam nas regiões produtoras mostram montanhas de cebolas sendo descartadas à beira de rodovias, reflexo da queda abrupta nos valores pagos ao produtor e da falta de demanda organizada para a venda da safra.
Produtores do Alto Vale do Itajaí relatam que os valores atuais não cobrem nem os custos de plantio, irrigação, colheita e transporte — culminando em um quadro de prejuízo financeiro direto e endividamento crescente nas propriedades rurais.
Com os preços em descompasso com os custos de produção, muitos agricultores já travam compras de insumos essenciais e adiam o planejamento para a próxima safra, alertam produtores e especialistas. A crise compromete não só a renda familiar, mas também a arrecadação dos municípios que dependem da cadeia produtiva da cebola como um dos pilares de sua economia.
A queda abrupta nos valores no campo contrasta com os preços observados nos mercados atacadistas, onde o quilo da cebola ainda oscila — por exemplo — em torno de R$ 2,00 em algumas centrais de abastecimento, mas isso não chega a refletir na ponta do produtor.
Há sinais de que o preço da cebola pode começar a subir em março, segundo analistas da pesquisa agrícola estadual, caso a oferta se ajuste e a demanda se recomponha após o período de entressafra. Mas a previsão de alta ainda carrega incertezas diante da forte pressão de custos no campo.
O setor agora busca apoios institucionais e linhas de crédito emergenciais para evitar que pequenos e médios produtores abandonem a atividade — um risco que, se concretizado, poderá reduzir ainda mais a produção do alimento no país e pressionar a formação de preços na cadeia de abastecimento nacional.
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