Foto: Divulgação Gor
A Operação Quaresma começou em Santa Catarina com foco no combate à prática ilegal conhecida como “farra do boi”. A ação reúne Polícia Militar, Vigilância Sanitária e a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) e seguirá até 5 de abril.
Tradicionalmente associada ao período da quaresma — os 40 dias que antecedem a Páscoa — a prática consiste em soltar um boi em área cercada por pessoas, que passam a provocar o animal até a exaustão. Apesar de ter origem cultural ligada à imigração açoriana no litoral catarinense, o entendimento jurídico consolidado é de que se trata de ato de crueldade contra animais.
Para o setor agropecuário, o tema reacende um ponto sensível: a responsabilização pode atingir não apenas participantes, mas também proprietários de áreas e envolvidos no transporte dos animais.
A prática é enquadrada como crime ambiental pelo artigo 32 da Lei 9.605/1998, que trata de abuso e maus-tratos contra animais.
Além da legislação federal, Santa Catarina possui norma específica: a Lei 17.902/2020, que estabelece penalidades administrativas.
As multas previstas são:
A operação atual é fundamentada tanto na legislação federal quanto na estadual.
Até o momento, em 2025, foram registradas seis ocorrências relacionadas à prática:
No período, dois animais foram apreendidos e três encaminhados — todos os casos em Bombinhas — além da aplicação de multa por maus-tratos em Governador Celso Ramos.
O entendimento jurídico não é recente. Em 1997, o Supremo Tribunal Federal proibiu a farra do boi em Santa Catarina ao julgar o Recurso Extraordinário 153.531-8/SC.
Na decisão, o STF reconheceu que, embora o Estado deva garantir o pleno exercício de direitos culturais, isso não pode se sobrepor à norma constitucional que veda a submissão de animais à crueldade.
Em 1998, com a aprovação da Lei de Crimes Ambientais, passou a haver punição expressa para quem pratica, colabora ou se omite diante de atos de crueldade contra animais.
O ponto de atenção vai além da discussão cultural. A legislação atual prevê responsabilização ampla — inclusive para proprietários de imóveis onde a prática ocorra, ainda que não tenham participado diretamente do evento.
Especialistas recomendam:
Em um cenário de fiscalização reforçada e penalidades elevadas, a prevenção é a principal estratégia para evitar multas e responsabilizações criminais.
A Operação Quaresma reforça que, independentemente de tradição, a legislação brasileira é clara: a farra do boi é crime.
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