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Oriente Médio: Conflitos podem elevar custos e pressionar produção

As tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã, que se intensificaram com ataques e retaliações na madrugada de 28 de fevereiro, acendem um sinal de alerta para o agronegócio brasileiro. Analistas e operadores de mercado afirmam que os efeitos vão muito além do campo militar, com possíveis repercussões no preço do petróleo, fertilizantes, logística global, câmbio e cadeias de commodities — fatores que podem pressionar os custos de produção e o equilíbrio econômico das lavouras.

No centro das preocupações está a possibilidade de alta nos preços do petróleo e aumento da volatilidade nos mercados financeiros globais. A região do Estreito de Hormuz — por onde passam cerca de 20% dos fluxos mundiais de petróleo bruto — já mostra indícios de interrupção logística, com algumas grandes companhias suspendendo embarques de óleo e combustíveis em meio à escalada do conflito.

Petróleo mais caro e efeito dominó no agro

O petróleo entrou em território de volatilidade intensa, com o barril negociando em níveis próximos aos maiores deste ano, e projeções de que, em cenários de conflito prolongado ou interrupção de fluxos, poderia ultrapassar a marca de US$100 por barril. Isso se deve ao aumento do “prêmio de risco político” embutido na commodity, que tem impacto direto nos preços de combustíveis e no custo do transporte de insumos e produtos agrícolas.

Para o agronegócio, isso significa um potencial efeito cascata:

  • Combustíveis mais caros ajudam a elevar o custo do diesel, que representa fatia significativa do custo operacional das propriedades;
  • Fretes internacionais e seguros de transporte marítimo podem subir, pressionando exportadores e importadores;
  • Câmbio e inflação ficam mais voláteis, influenciando crédito, investimentos e custo dos insumos.

Fertilizantes sob pressão

Outro componente crucial para o agro brasileiro é a cadeia de insumos. A região do Oriente Médio, em especial o Irã, tem papel na produção global de fertilizantes — especialmente nitrogenados como ureia — e a instabilidade geopolítica eleva a incerteza sobre oferta e repasse de preços. Antes mesmo dessa nova escalada, indústrias e produtores vinham reportando aumentos de preços que já vinham se refletindo nos portos brasileiros.

Com a tensão agravada, a expectativa de custo de fertilizantes mais alto se soma à alta do petróleo, criando um cenário de “tempestade perfeita” para os custos de produção agrícola, principalmente em culturas intensivas em fertilizantes como milho e soja.

Logística e comércio exterior em xeque

O comércio global, especialmente via marítima, pode sofrer efeitos rápidos. Além das rotas energéticas, o estreitamento ou insegurança em corredores como o Estreito de Hormuz pode impulsionar prêmios de risco e seguros de navios, elevando custos de exportação. Isso se somaria à pressão já crescente sobre fretes e prazos logísticos em mercados globais ainda sensíveis a disrupções geopolíticas.

Cenário global e próximos passos

Analistas destacam que o impacto final dependerá principalmente de do comportamento do conflito nas próximas semanas e da resposta de grandes players como a Opep+ — que tem reunião prevista de política de produção — além da postura de grandes economias como China e Índia, que influenciam tanto demanda por commodities quanto estratégias de estoques.

Para o agro brasileiro, considerado um dos pilares da economia nacional e altamente conectado a mercados internacionais, o momento requer acompanhamento atento das cotações de petróleo e fertilizantes, da dinâmica cambial e dos fluxos logísticos globais — fatores que podem ditar tanto custos internos quanto competitividade externa nos próximos ciclos produtivos.

Redação Agro7

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