Fotos: Antônio Costa, André Ricoy, José Felipe Batista e Rafael Simões/Comunicação Butantan
O Brasil observou um salto expressivo nos acidentes provocados por picadas de escorpião nos últimos dez anos. Segundo dados do Ministério da Saúde, as notificações passaram de cerca de 85 mil em 2015 para mais de 200 mil em 2023, ano recorde da série histórica – um aumento de 230% quando comparado ao período de 2005 a 2015.
A bióloga e assistente técnica de apoio à pesquisa do Biotério de Artrópodes do Instituto Butantan Denise Candido explica que o crescimento substancial está relacionado à interação de diversos fatores. Entre eles estão a urbanização acelerada, os impactos das mudanças climáticas e a consequente perda de biodiversidade, além das próprias características biológicas do animal.
O avanço desordenado das cidades sobre áreas naturais muitas vezes vem atrelado a lacunas de infraestrutura, como falta de saneamento básico e acúmulo de lixo. Tudo isso contribui para que os novos ambientes urbanos se tornem ideais para a proliferação de espécies oportunistas, devido à abundância de baratas – principal presa do artrópode – e à disponibilidade de abrigo.
“Existe uma dinâmica muito particular, pois ao mesmo tempo em que o ser humano invade o habitat natural do escorpião, ele cria as condições ideais para que o animal se prolifere”, afirma Denise Candido.
O cenário consolida o escorpionismo como um relevante problema de saúde pública no país e, também, revela um quadro de desequilíbrios e transformações ambientais.
Outro fator que colabora para o aumento do T. serrulatus em áreas urbanas é a sua capacidade de reprodução por partenogênese. Nesse processo, as fêmeas da espécie são capazes de gerar descendentes sem necessidade de acasalamento com o macho. “Na prática, isso significa que um único indivíduo pode dar origem a toda uma população, desde que encontre alimento, abrigo e água – itens geralmente abundantes nas grandes cidades”, observa a bióloga.
A especialista também ressalta o papel-chave das redes subterrâneas de água e esgoto na dispersão do animal em grandes centros, uma vez que as galerias oferecem acesso a diferentes pontos de uma cidade e proporcionam condições ideais de abrigo e alimentação.
O calor também é um fator relevante na dinâmica com o artrópode. Afinal, é durante o período de altas temperaturas que eles ficam mais ativos, locomovendo-se com frequência em busca de alimentos e intensificando sua capacidade de replicação por meio da partenogênese. Não à toa, os registros de acidentes por picada de escorpião aumentam sensivelmente a partir do mês de outubro todos os anos.
A Organização das Nações Unidas (ONU) já afirma que o aquecimento global deverá atingir cerca de 3,2°C até o final do século. Com os períodos de calor tornando-se cada vez mais longos e intensos, os encontros entre humanos e o animal tendem a se tornar ainda mais frequentes – assim como as chances de picada.
Além disso, o aumento das áreas desmatadas tem contribuído para que outras espécies de escorpião cheguem a áreas de maior densidade demográfica. Na região Norte do país, por exemplo, o escorpião-preto-da-amazônia (Tityus obscurus) e o escorpião-preto (Tityus metuendus), antes restritos a ambientes de floresta úmida, estão sendo encontrados com frequência em residências localizadas em Manaus e em outros municípios vizinhos.
Já o escorpião-do-nordeste (Tityus stigmurus), natural da região, hoje ocupa diferentes estados do Sul e Sudeste. Assim como o escorpião-amarelo, a espécie se reproduz por partenogênese e é altamente adaptável a ambientes urbanos, sendo também uma das principais causadoras de acidentes no país.
“No Centro-Oeste e no Sudeste, temos registros crescentes de espécies consideradas de interesse médico na Argentina, como o Tityus confluens e o Tityus trivittatus, indicando um possível processo de adaptação ecológica em curso”, ressalta Denise Candido.
Reportagem: Natasha Pinelli
Para dar sequência ao projeto de ampliação e modernização do Píer de Granéis Líquidos (PPGL),…
O Paraná estava sob alerta de chuvas fortes na quarta-feira (1), e em diversas cidades a…
A Credicoopavel cresceu 29,1% em 2025, 12,5 vezes a mais que a expansão do PIB…
Ao mesmo tempo em que reduz custos, economiza recursos naturais e melhora a eficiência nas…
A Justiça de Mato Grosso decidiu manter uma multa superior a R$ 6 milhões contra…
Uma operação do Instituto Água e Terra (IAT) terminou com o fechamento de um criadouro…
This website uses cookies.