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Setor defende “lavoura de carne” como modelo para modernizar a pecuária

A diversificação no campo por meio da pecuária foi tema do painel “Lavoura de Carne: a nova pecuária do Brasil” na Arena de Inovação, na tarde desta terça-feira, 24, durante a 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas, na Embrapa Clima Temperado, em Capão do Leão (RS). O seminário abordou mercado, rastreabilidade, produtividade, sustentabilidade, padronização e bem-estar animal.

O diretor do Universo Pecuária e da SIA Brasil, Davi Teixeira, que mediou o encontro, ressaltou a necessidade de esforços coletivos para retomar a competitividade da pecuária gaúcha e ampliar sua presença no mercado nacional. “Muito nos orgulhamos da nossa carne, mas não trabalhamos para que ela seja reconhecida pelo seu grande diferencial”, afirma.

Para Antonia Scalzilli, presidente do Instituto Desenvolve Pecuária, o gaúcho esqueceu de se comunicar com o consumidor e com o restante do país. “É muito significativo falar sobre lavoura de carne. Quando pensamos em lavoura, vem à mente investimento, alta produtividade e competitividade”, afirmou Antonia. Segundo ela, a pecuária precisa pegar carona na agricultura e se profissionalizar em gestão e produtividade. “Temos que investir muito para mudar o cenário atual e organizar da porteira para dentro”, frisa.

Na mesma linha, o subsecretário da Irrigação na Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Márcio Amaral, afirma que o Rio Grande do Sul tem orgulho de ter ensinado pecuária para o restante do Brasil. Porém, outros estados avançam enquanto o RS permanece estagnado quando o assunto é o mercado da carne. “Em tempos de pecuária 5.0 e Inteligência Artificial, onde nos perdemos? O que podemos fazer para ajudar o nosso estado a sair dessa situação?”, questiona.

A presidente da Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável, Ana Doralina Menezes, destaca que é fundamental abrir mais espaços para o debate de temas que afetam diretamente o setor. “Todos os elos da cadeia produtiva estão sentados ao redor da mesa. As demandas no último ano foram muito intensas, principalmente porque tivemos um ano de COP 30, em que o debate sobre mudanças climáticas virou o tema central. Contudo, não podemos esquecer de falar também sobre rastreabilidade, visão de mercado e padronização da pecuária brasileira”.

De acordo com Ana Doralina, a carne gaúcha é reconhecida no mundo todo pelo seu sabor, embora não seja encontrada no mercado com a mesma facilidade da carne do Nelore. “O Nelore virou a grande comodidade brasileira. É uma raça adaptável e produtiva, mas no quesito sabor fica para trás. Tem muita culpa nossa. A gente fica estagnado e não trabalha a padronização do nosso rebanho”.

O diretor da PH Advisory Group, Paulo Herrmann, afirmou que o tradicionalismo exagerado impede o Rio Grande do Sul de crescer e de buscar soluções diferentes para os desafios do mercado. “Temos que olhar mais para o futuro e não ficar vivendo só do passado, olhando para as nossas raízes. Precisamos ter metas, objetivos. Trabalhar para que as coisas sejam diferentes. Investir num maior rendimento de carcaças, pastagens de qualidade, rotação de cultura, taxa de desmame e aumento do rebanho”, salienta Herrmann, enfatizando que não há como conquistar resultados diferentes fazendo as mesmas coisas de sempre.

A 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas tem como tema “Cenário atual e perspectivas: conectando campo e mercado”. O evento é uma realização da Federarroz, com correalização da Embrapa e do Senar, e patrocínio premium do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga).

Texto: Stéphany Franco/AgroEffective

Redação Agro7

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