Agricultura

CNA pede R$ 623 bilhões para o próximo Plano Safra

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) encaminhou ao governo federal, nesta terça-feira (28.04), proposta de R$ 623 bilhões para o Plano Safra 2026/27, em meio ao encarecimento do crédito, à pressão sobre as margens e ao aumento do endividamento no campo. O documento foi entregue ao ministro da Agricultura, André de Paula, e prevê a divisão dos recursos entre agricultura empresarial e familiar, além de reforço ao seguro rural.

A iniciativa ocorre em um momento em que o setor mantém níveis elevados de produção, mas com rentabilidade mais estreita. A combinação de juros altos, volatilidade de preços, restrições de financiamento e maior risco climático tem levado produtores a sustentar a atividade com maior dependência de crédito e menor capacidade de absorver perdas.

No diagnóstico da CNA, o principal problema não está apenas no volume de recursos, mas na forma como o Plano Safra é estruturado. A entidade aponta descompasso entre o calendário orçamentário e o ciclo agrícola, o que reduz a previsibilidade e dificulta o planejamento de produtores, cooperativas e agentes financeiros. Na prática, a liberação de recursos ao longo do ano, muitas vezes condicionada a ajustes fiscais, interfere diretamente nas decisões de plantio, investimento e comercialização.

Outro ponto de atenção é o custo da equalização das taxas de juros. Em um ambiente de juros mais elevados, o gasto do governo para subsidiar o crédito rural aumenta, o que tem exigido reforços orçamentários ao longo do ciclo, cenário que, segundo a CNA, tende a se repetir caso não haja mudança no modelo.

O documento também reforça a necessidade de ampliar e modernizar o seguro rural. A entidade defende o fortalecimento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), visto como instrumento essencial para reduzir o risco das operações e dar estabilidade ao financiamento. Sem cobertura adequada, a avaliação é que o crédito tende a ficar mais caro ou mais restrito, sobretudo para médios produtores.

Além do aumento de recursos, a CNA propõe a adoção de um modelo plurianual para o Plano Safra, com orçamento mais previsível e execução contínua. A ideia é reduzir a dependência de ajustes ao longo do ano e alinhar a política agrícola à dinâmica da produção.

Entre as propostas encaminhadas estão a criação de um plano agrícola plurianual com definição de prioridades, a ampliação dos recursos para o seguro rural e a modernização de sua legislação, o aumento do volume de crédito com divisão entre agricultura empresarial e familiar, medidas de apoio à saúde financeira do produtor e instrumentos de renegociação de dívidas, atualização dos limites de enquadramento por renda para programas como Pronaf e Pronamp, avanço de uma nova etapa da Lei do Agro, simplificação das regras do crédito rural e redução de burocracias, priorização de programas de investimento como armazenagem, irrigação e sustentabilidade, ampliação de fundos garantidores e estímulo a mecanismos privados de financiamento com maior participação do mercado de capitais.

Para o produtor, o debate sobre o Plano Safra deixa de ser apenas sobre o tamanho dos recursos anunciados e passa a envolver custo efetivo, acesso ao crédito e previsibilidade. Em um cenário de maior risco e juros elevados, a combinação entre financiamento, seguro e estabilidade orçamentária tende a determinar a capacidade de investimento e a sustentabilidade financeira da atividade nas próximas safras.

(Com informações de Pensar Agro)

Redação Agro7

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