Imagem: Freepik
A inadimplência no crédito rural mais que dobrou em 12 meses e os pedidos de recuperação judicial (RJ) atingiram o maior nível da série histórica, evidenciando o aperto financeiro no campo. Dados do Banco Central mostram que, em janeiro, os atrasos acima de 90 dias entre produtores pessoas físicas chegaram a 7,3%, contra 2,7% no mesmo período de 2024. Segundo a Serasa Experian, os pedidos de RJ somaram 1.990 em 2025, alta de 56,4% em relação ao ano anterior.
O avanço ocorre em meio a margens mais estreitas em culturas como soja e milho, juros elevados e maior rigor dos credores. Bancos, tradings e empresas da cadeia reduziram a tolerância com atrasos, levando mais produtores a recorrer à RJ como forma de reorganizar dívidas. Escritórios especializados também ampliaram sua atuação no campo, oferecendo o instrumento como solução rápida para o endividamento — muitas vezes sem avaliação completa dos impactos.
Embora alivie a pressão imediata, a RJ traz efeitos colaterais relevantes, como a perda de acesso ao crédito, essencial para financiar a safra. Sem capital, parte dos produtores reduz área cultivada ou recorre ao arrendamento de terras para manter alguma renda.
O movimento atual tem raízes no ciclo de alta das commodities entre 2021 e 2023, quando preços elevados e crédito farto estimularam a expansão da produção e o endividamento. Com a reversão do cenário, juros mais altos e queda nas cotações, produtores mais alavancados perderam liquidez. A RJ, que ganhou força no agro a partir de 2021, passou a ser usada tanto por quem enfrenta dificuldades reais quanto por quem busca renegociar dívidas, gerando distorções.
Apesar da alta, o número de RJs ainda é pequeno frente ao universo do setor. O Brasil tem cerca de 5 milhões de produtores rurais, dos quais 1,1 milhão acessam crédito. Ainda assim, a inadimplência crescente pressiona o sistema financeiro, encarece o crédito e eleva a seletividade para novos financiamentos.
Para Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA), o cenário resulta da combinação de fatores de mercado com falhas na política agrícola. “O produtor está pagando a conta de um ciclo mal calibrado. Tivemos incentivo à expansão em um momento de crédito farto, mas sem instrumentos de proteção quando o cenário virou”, afirma. Ele alerta para o uso indiscriminado da RJ: “Criou-se um ambiente em que a recuperação judicial é apresentada como solução fácil. Muitos entram sem clareza de que vão perder acesso ao crédito e comprometer a próxima safra”.
Rezende avalia que o problema deve persistir em 2026, mas não configura crise estrutural. “O setor continua forte e competitivo, mas passa por um ajuste. O risco é esse ajuste ser agravado por decisões equivocadas. Sem crédito acessível e com custo elevado, o produtor perde capacidade de reação”, conclui.
(Com informações de Feagro/MT)
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