Foto: Faep
Água em jogo. A segurança jurídica voltou ao centro das atenções do agro paranaense. Em reunião realizada no dia 26 de fevereiro, a Comissão Técnica de Meio Ambiente do Sistema FAEP reuniu 51 representantes de 36 sindicatos rurais para discutir temas que impactam diretamente o dia a dia das propriedades: aplicação do Código Florestal na Mata Atlântica, nova Lei Florestal do Paraná, embargos ambientais, crédito rural e o avanço do programa Irriga Paraná.
O recado foi claro: o momento exige vigilância, articulação e informação qualificada.
Um dos pontos que mais mobilizaram os produtores foi a recente decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), que extinguiu ação que questionava a aplicação do Lei 12.651/2012 no Paraná.
A tese defendia que deveria prevalecer exclusivamente a Lei 11.428/2006, com retroação da linha de corte para 1990 — o que poderia atingir mais de 540 mil pequenas propriedades no Estado.
Com a decisão, o entendimento reafirma que não há conflito entre as legislações:
Embora ainda caiba recurso, a avaliação jurídica é de que o cenário atual garante maior previsibilidade ao setor produtivo.
Outro tema estratégico foi o Projeto de Lei 80/2026, que propõe uma nova Lei Florestal estadual, substituindo a Lei 11.054/1995.
Entre os principais pontos:
O alerta está na definição futura desses critérios por normas infralegais, o que pode gerar insegurança se não houver clareza técnica.
A partir de abril, instituições financeiras poderão vincular a concessão de crédito rural a alertas do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), mesmo sem análise prévia do órgão ambiental.
O risco apontado é o de “falsos positivos”, como:
A orientação aos produtores é preventiva: comunicar formalmente ao órgão ambiental qualquer intervenção na área, criando documentação que resguarde a propriedade em caso de bloqueio indevido.
Produtores também relataram dificuldades relacionadas a embargos aplicados pelo Instituto Água e Terra (IAT).
Entre os principais entraves:
A ausência de rito formal semelhante ao federal amplia a sensação de insegurança e reforça a necessidade de ajustes.
Irriga Paraná: água como estratégia de produção
No campo das oportunidades, o destaque foi o programa Irriga Paraná, apresentado pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná).
Criado em 2024 dentro da estratégia estadual de segurança hídrica, o programa busca:
Os números mostram o tamanho do desafio: segundo o Censo Agropecuário de 2017, apenas 5,43% das propriedades de hortifrúti possuem algum tipo de irrigação, e somente 0,78% da área cultivada no Paraná é irrigada.
Diante de sucessivos períodos de estiagem, a irrigação deixa de ser diferencial e passa a ser estratégia de sobrevivência produtiva.
A reunião reforçou três mensagens centrais ao campo paranaense:
Entre desafios jurídicos e oportunidades produtivas, o cenário exige atenção redobrada. Para o produtor que quer continuar investindo, ampliar área ou buscar crédito, acompanhar de perto essas pautas deixou de ser opção — tornou-se parte da gestão da propriedade.
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